A História do Tarot Egípcio: Origens, Mitos e Mistérios Sagrados
A história do Tarot Egípcio é uma jornada fascinante que mistura arqueologia, esoterismo, mitologia e a busca incessante do ser humano pelas verdades ocultas do universo. Considerado por muitos magos e ocultistas como a versão mais antiga e filosoficamente pura da cartomancia, este oráculo não é apenas um sistema de previsão do futuro, mas sim um mapa codificado para a evolução da alma.
Se você quer entender como os mistérios dos faraós, os hieróglifos sagrados e as divindades do vale do Nilo se transformaram em um dos baralhos mais respeitados do mundo, acompanhe a verdadeira linha do tempo deste oráculo supremo.
O Mito de Thoth e o Livro de Ouro da Sabedoria
No campo do esoterismo, a origem espiritual do Tarot Egípcio está intimamente ligada a Thoth, o deus egípcio da sabedoria, da escrita, da magia e do tempo. Segundo as lendas locais, Thoth compilou todo o conhecimento oculto do universo, as leis da geometria sagrada e os segredos da criação em uma única obra: O Livro de Thoth.
Diz a tradição que, para evitar que esse conhecimento sagrado caísse em mãos erradas ou fosse destruído pelas invasões que o Egito sofreria ao longo dos séculos, os sacerdotes e iniciados decidiram camuflar os ensinamentos divinos na forma de lâminas ilustradas (imagens e símbolos). Eles sabiam que a humanidade poderia corromper ou esquecer as palavras escritas, mas os símbolos universais continuariam falando diretamente ao inconsciente humano através dos séculos. Assim, as páginas do livro de Thoth teriam dado origem aos 22 Arcanos Maiores.
O Renascimento no Século XVIII: De Court de Gébelin ao Ocultismo
Historicamente, o ressurgimento da forte conexão entre o Tarot e o Antigo Egito aconteceu na Europa do século XVIII, em meio ao iluminismo e à febre das descobertas arqueológicas.
Antoine Court de Gébelin (1781): Este clérigo e erudito francês foi o primeiro a afirmar publicamente, em sua obra Le Monde Primitif, que o Tarot tradicional (como o de Marselha) era, na verdade, os restos sobreviventes do lendário Livro de Thoth. Ele defendia que os desenhos continham a alta magia e a filosofia dos sacerdotes egípcios.
Etteilla (Jean-Baptiste Alliette): Inspirado pelas ideias de Gébelin, o ocultista conhecido como Etteilla publicou, em 1789, o primeiro baralho de Tarot projetado especificamente para a adivinhação que incorporava conceitos e nomes egípcios. Ele reordenou as cartas para aproximá-las do que acreditava ser a estrutura original do Livro de Thoth.
A Estrutura Única do Tarot Egípcio
Ao longo dos séculos XIX e XX, diversos estudiosos e ordens iniciáticas (como a Fraternidade Rosacruz e autores como Papus) refinaram o Tarot Egípcio, dando a ele a identidade visual e filosófica única que conhecemos hoje.
Diferente dos baralhos europeus comuns, o Tarot Egípcio não se divide apenas em imagens centrais. Cada uma de suas lâminas é uma obra de arte hermética dividida em três planos espirituais:
Plano Superior (Espiritual): Localizado no topo da carta, exibe hieróglifos, símbolos astrológicos e divindades (como Anúbis, Ísis, Osíris ou Hórus) que regem as forças cósmicas daquela situação.
Plano Médio (Mental): A imagem central da carta, que retrata uma cena da vida humana, arquétipos de poder, sacerdotes ou ações cotidianas do Antigo Egito. É o plano onde o conselho ganha forma na mente do consultante.
Plano Inferior (Físico): Localizado na base da carta, traz símbolos de ancoragem material, letras de alfabetos sagrados, numerações cabalísticas e as energias ocultas que sustentam a matéria.
O Tarot Egípcio na Atualidade
Hoje, o Tarot Egípcio é reverenciado por sua precisão cirúrgica e tom profundamente filosófico. Suas cartas não buscam assustar ou criar ilusões, mas sim trazer à tona a verdade oculta e a justiça cósmica — o conceito de Ma'at (o equilíbrio universal).
Consultar este oráculo é fazer uma ponte direta com milhares de anos de sabedoria iniciática. Quer você utilize uma tiragem rápida de uma carta para o seu dia, quer use métodos complexos como a Cruz Celta e a Mandala Astrológica, a energia que move este baralho visa o seu despertar consciencial e o alinhamento da sua vida com as leis do universo.
Os Deuses Egípcios e as Forças Ocultas dos Arcanos Maiores
Para compreender a verdadeira profundidade do Tarot Egípcio, é preciso olhar para o topo de cada lâmina, onde habitam as divindades e os mitos do vale do Nilo. Cada Arcano Maior está sob a tutela de uma força cósmica personificada por deuses, deusas, faraós ou símbolos sagrados que ditam a lição espiritual daquela carta.
Abaixo, você conhecerá a associação sagrada de cada uma das 22 lâminas e como a energia desses deuses atua diretamente na sua leitura:
Do Arcano 1 ao 7: As Forças da Criação e do Poder Humano
01 – O Mago (Horus): Representa a luz do poder em ação. Horus, o deus falcão, traz a visão clara, a coragem e a vitalidade necessárias para dar o primeiro passo e manifestar os seus desejos no plano material.
02 – A Sacerdotisa (Isis): A personificação da mãe do Universo. Isis guarda os mistérios ocultos, a intuição profunda e a sabedoria silenciosa. É a força que convida ao recolhimento e à busca pelas verdades internas.
03 – A Imperatriz (Mut): Associada à grande mãe abutre. Mut representa a fertilidade, a proteção feroz e o poder de nutrir a vida. Ela dita os períodos de crescimento, abundância e criatividade.
04 – O Imperador (Amon-Ra): O senhor dos deuses, representando o poder da vontade. Amon-Ra traz a estrutura, a autoridade, a estabilidade material e a capacidade de governar a própria vida com racionalidade e firmeza.
05 – O Papa / O Hierofante (Anúbis): Aqui conhecido como O Tetrarca, está sob a regência de Anúbis, o guia espiritual. Ele atua como o mestre dos rituais e o guardião da passagem, trazendo disciplina, sabedoria moral e direcionamento para a alma.
06 – Os Amantes / Os Enamorados (Neit): Sob os olhos de Neit, a Deusa da caça e da tecelagem do destino. Ela rege as escolhas do coração, o romantismo e a busca pelo equilíbrio e harmonia nas relações.
07 – O Carro / O Triunfo (Ramsés II): Representado pela figura de Ramsés II, o grande faraó. Esta lâmina transborda a energia de liderança, vitória, foco e o dinamismo necessário para conduzir os caminhos da vida com determinação.
Do Arcano 8 ao 14: As Leis do Equilíbrio e da Transformação
08 – A Justiça (Maat): A organizadora do Universo. Maat traz a régua da verdade e o peso exato da retidão cósmica. Indica um momento de reajustes, racionalidade e colheita justa baseada em nossas próprias ações.
09 – O Eremita (Geb): O amo e senhor da terra. Geb evita a pressa e traz a energia de estabilidade firme, solidez e andamento lento. É o convite à prudência, ao amadurecimento gradual e à paciência com o tempo.
10 – A Roda da Fortuna / A Retribuição (A Esfinge): A mística Esfinge surge como a espectadora da ciclicidade da vida. Ela nos lembra de que o destino muda constantemente e que a instabilidade faz parte da jornada humana, exigindo desapego e adaptabilidade.
11 – A Força / A Persuasão (Sekhmet): Sob o poder de Sekhmet, a Deusa leoa. Ela simboliza a coragem inabalável, o domínio sobre os instintos e a vitalidade para superar qualquer desafio de cabeça erguida.
12 – O Enforcado / O Apostolado (Sokaris): Regido por Sokaris, o senhor da oração e das transformações silenciosas. Esta carta fala sobre períodos de estagnação protetora, onde a fé, a espiritualidade e a entrega interna valem mais do que a ação física.
13 – A Morte / A Imortalidade (Amentit): Sob a tutela de Amentit, a deusa que acolhe as almas no ocidente. Ela representa o final preciso para a renovação. É o arquétipo dos cortes necessários, dos encerramentos de ciclos e do renascimento da alma.
14 – A Temperança (Kadesh): A Senhora das águas e da vida amável. Kadesh traz a cura, a harmonia emocional, o equilíbrio e a paciência espiritual. É a promessa de regeneração após as tempestades da vida.
Do Arcano 15 ao 22: O Destino e a Evolução Espiritual
15 – O Diabo / A Paixão (Amon): O grande criador dos seres em sua faceta mais densa e magnética. Representa a força do desejo material, o magnetismo sexual, as paixões intensas e os testes ligados ao apego e ao ego.
16 – A Torre / A Fragilidade (Onuris-Shu): O deus do triunfo sobre o espírito destrutor. Embora esta carta traga rupturas e imprevistos delicados, a presença divina garante que a queda das velhas estruturas serve para purificar e reconstruir o seu caminho sobre bases mais fortes.
17 – A Esperança (Sirius): Inspirado em Sirius, a estrela que ilumina o Rio Nilo e anuncia as cheias férteis. É o Arcano do otimismo, do brilho pessoal, da fé renovada e da certeza de que dias melhores estão chegando.
18 – A Lua / O Crepúsculo (Selket): Sob a energia oculta de Selket, a deusa escorpião. Ela rege o universo dos sentimentos profundos, mistérios e intuição, mas alerta para ilusões, medos e instabilidades emocionais que nublam a visão.
19 – O Sol / A Inspiração (Aton): Banhado pela luz divina de Aton, o próprio disco solar. Simboliza a clareza total, o sucesso absoluto, a verdade revelada, a alegria de viver e o ápice da realização física e emocional.
20 – O Julgamento / A Ressurreição (Ba): Representa a libertação da alma (Ba). É o despertar espiritual definitivo, o resgate de antigas situações, as reavaliações profundas e a chance de recomeçar a vida sob uma nova e elevada consciência.
21 – O Mundo / A Transmutação (Shu e Tefnut): Sob os princípios de toda a criação. O casal divino do ar e da umidade traz a plenitude, a conclusão bem-sucedida de uma longa jornada, a harmonia perfeita e o fechamento vitorioso de um grande ciclo.
22 – O Louco / O Regresso (Sobek): O deus crocodilo atua aqui de forma suprema como a voz da consciência. O Louco caminha com leveza e desprendimento material, lembrando o consultante de viver a liberdade e a autenticidade, confiando no fluxo espiritual do universo.
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Perguntas Frequentes (FAQ) – História e Deuses do Tarot Egípcio
1. Quem foi o verdadeiro criador do Tarot Egípcio na história?
No plano espiritual e mitológico, a criação do oráculo é atribuída ao deus Thoth, a divindade egípcia da sabedoria e da magia, que teria condensado as leis do universo no lendário Livro de Thoth. Já no contexto histórico documentado, o tarot egípcio como conhecemos hoje começou a ser estruturado por ocultistas europeus a partir do século XVIII, como Court de Gébelin e Etteilla, que resgataram os hieróglifos e os mistérios do Antigo Egito para as lâminas.
2. Qual é o papel do deus Hórus no Tarot Egípcio?
Na linhagem teológica do oráculo, Hórus rege o arcano O Mago (ou a lâmina da iniciativa). Sendo a personificação da luz do poder e do falcão sagrado, a presença de Hórus em uma tiragem de tarot egípcio online indica foco, visão clara, vitalidade e a força necessária para manifestar novos caminhos e tomar o controle do próprio destino.
3. Por que a deusa Maat representa a carta da Justiça no Tarot Egípcio?
A associação é perfeita porque Maat é a deusa egípcia da verdade, da ordem cósmica e da justiça universal. Na história e na mitologia do vale do Nilo, era Maat quem pesava o coração dos mortos contra a pena da verdade no tribunal divino. No tarot egípcio, sua lâmina exige retidão, equilíbrio nas decisões, racionalidade e simboliza a colheita exata de tudo o que plantamos.
4. O que significa a presença do deus Anúbis no Tarot Egípcio?
Diferente de outras vertentes que associam Anúbis ao arcano da Morte, na estrutura clássica deste oráculo ele rege a lâmina O Tetrarca (equivalente ao Papa ou Hierofante). Sendo o grande juiz dos mortos e o guia espiritual das almas, Anúbis atua no tarot online como o mentor do conhecimento oculto, simbolizando a necessidade de buscar sabedoria moral, seguir rituais de passagem e aceitar o direcionamento espiritual correto.
5. Como Sirius, a estrela do Nilo, influencia as previsões do Tarot Egípcio?
A estrela Sirius atua como a regente absoluta do arcano A Esperança (equivalente à Estrela do tarot tradicional). Para os antigos egípcios, o surgimento de Sirius no céu anunciava as cheias do Rio Nilo, que fertilizavam as terras e traziam abundância após longos períodos de seca. Por isso, no tarot egípcio online grátis, essa carta irradia otimismo, brilho pessoal, cura espiritual e a certeza de que a prosperidade está retornando para a sua vida.